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segunda-feira, 5 de maio de 2014

no teto da casa

no teto da casa
comer guacamole
cerveja e pimenta
a vida é pequena
pra que tanto rio?

no teto da casa
falar besteira
contar as estrelas
o som das abelhas
dançando no frio

o casamento do cedro com a araucária
um abraço de nuvem no teto da casa
uma chaminé, um chamamé
o mundo girando no teto da casa...

no teto da casa
ver a namorada
deixar o vestido
de flor amarela
confundir o poente

no teto da casa
saber o tempo
de colher estrelas
o céu nas telhas
chamando o vento

o casamento do cedro com a araucária
um abraço de nuvem no teto da casa
uma chaminé, um chamamé
o mundo girando no teto da casa...

segunda-feira, 21 de abril de 2014

na minha beira

vive no canto da boca um canto sem boca
como paisagem perdida no canto do olhar
foi como a flor esquecida num canto de moça
ou poesia de areia nas beiras do mar

fotografias e rimas de um cego caduco
sonho do eunuco de um dia ser imperador
fruta madura que sonha um dia ser suco
vive na beira do ódio esquecido um amor

se procurar dentro da viola
a melodia na beira da corda
um som azul

se procurar no canto da boca
aquele beijo de beira de moça
um iguaçú

e se procurar por um espaço
pelas beiras entre seu abraço
um corpo nu

não vai encontrar nem mesmo o canto
onde se escondia por enquanto
o que eu fui

lembranças sem ter fim na minha beira
é de nascença em mim um mar pirata
tesouros que perdi por cordilheiras
tem mais presença em mim o que me falta

é de nascença em mim um mar pirata
tem mais presença em mim o que me falta

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Talvez

talvez seja essa noite
deitada em minha janela
talvez seja o vinho tinto
na minha camisa velha

talvez seja essa rua
por onde o silêncio ia
talvez seja só eu mesmo
querendo ver poesia

talvez seja esse tempo
de nuvem e chuva fina
talvez é o pensamento
a meteorologia

talvez seja essa insônia
que bebe meu corpo ao poucos
talvez seja o meu silêncio
gritando até ficar rouco

talvez seja o fim do mundo
ou só é saudade dela
talvez seja essa noite
deitada em minha janela

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

na estrada


foto de Ana Pas.

um pedaço de saco plástico de um supermercado antigo
já não tem mais o cheiro da fruta e só carrega consigo
um pedaço do vazio que assopra dessa areia e chão batido
ao passo que passa pelo meu pensamento e esbarra perto
dos pés descalços e alça voo por centímetros e até metros
acima desse barro eu paro e sento em cima do banco em pranto
solitário, silencioso, atento

percebo que esse saco plástico sou eu mesmo
voando ao vento
e agora crendo
que a vida é feita pra voar
eu invento
um novo canto
que altere as linhas melódicas do horizonte e da paisagem
em miragem tênue do que existe e do que não entendo
o saco plástico agora está solto no vento e de dentro
de mim de todo esse silêncio que me envolve e dissolve
o ar suspenso em névoa amarela e alaranjada como os olhos
novos da amada antiga
um pedaço de saco plástico de um supermercado antigo
um pedaço de vazio que assopra de dentro desse chão batido
fabrica em mim um sopro e suave sol sustenido
e eu penso em minha mãe
em meu pai

no teu sorriso

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Felina

deita na cama
estica o corpo
vira e me chama
com olhar torto
joga o cabelo
gira os quadris
faz um gelo
pede bis
deita e aproxima
puxa meu braço
mia em rima
ri do que faço
vira de costas
puxa o lençol
sei do que gostas
puxo o anzol
arranha meu peito
torce o pescoço
vira de um jeito
arrepio no dorso
contorce e me quer
mia um pedido
felina mulher
que dorme comigo