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domingo, 8 de novembro de 2009

Limitedosom - vinhetas no Myspace


o projeto: vinhetas curtas, poesias concisas.
lembrando: disco do Lô (1972)

http://www.myspace.com/limitedosom

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Recital: Deserto Fim

Hoje senti algo bonito.

Pude assistir num recital de compositores da escola de música da UFRJ, uma peça de Rafael Sperling, meu camarada, com a minha poesia.

A surpresa foi a voz da soprano Lina Mendes. Impressionante essa voz. Que interpretação.
Fiquei impressionado com a força que a música ganhou.

Foi muito bonito ver aquilo que participei fazendo, aquela sementinha, aquelas imagens que tentava colocar no papel, pude ver as imagens ao vivo, na minha frente, no ar. Pude ouvir as imagens.

A música tem um que de árabe, de oriente médio, um clima, uma atmosfera. Tentei buscar uma história de deserto, de um amor, de cigana lendo o futuro, trabalhar essas imagens ao mesmo tempo áridas e misteriosas.

Provavelmente a música foi outra para mim. Ouvi diferente. Pra mim a música foi outra ali.
Tinha outro sentido, uma coisa de revelação. Revelar coisas que nem eu mesmo sabia. Acho que é isso que me move nesse sentido. Por isso, também, sou apaixonado pela poesia na música, por essa modalidade completamente diferente de poesia para música. Letra de música.

A sensação de ver aquilo, com muito mais riqueza, aquelas imagensonoras, foi quase um filme. Foi audiovisual também. Pra mim a música é cinema e cinema é música.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

CD de Choro

Entrem nesse link e baixem um belíssimo cd de choro,

com a primeira música arrebentando geral:

"pedacinhos do céu" com "o cara" no cavaco.

http://musicaecerveja.blogspot.com/

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sérgio Mendes X Mário de Andrade

Continuando a discussão sobre a História da Música brasileira, o professsor Avelino nos trouxe um texto do compositor Sérgio Mendes.

O texto dada de 1972, cinquentenário da Semana de Arte Moderna em SP, e se posiciona criticamente quanto a visão nacionalista de Mário de Andrade, e como ela significou um retrocesso no desenvolvimento da linguagem musical brasileira.

A ênfase de Mário era no folclore, como base do nacional e conduzindo para o universal.

Defendia, no final das contas, contraditóriamente, um modelo neo-clássico enxertado de folcore.
Ou seja, norteado pelos padrões tradicionais da música européia, Andrade prega um retorno ao final do século XIX em termos de linguagem musical, enxertando o folclore, e vendo nisso a "verdadeira e única" música brasileira erudita.

Esse patrulhamento ideológico será predominante após a semana de 22.
Até a semana de 22 a música brasileira está próxima do desenvolvimento europeu, afinada com o debate musical.

Para Mendes, Villa-Lobos é um inventor, está atualizado com as questões européias, experimenta novas formas, novos modos de fazer e pensar a música.

Sérgio Mendes vai pensar: quanto mais inovação pessoal do artista, mais nacional é.

O critério agora é a criação.

Parte da vanguarda dos anos 60 - chamada Música Nova - da qual participava Rogério Duprat, e que mais tarde iria aplicar na música popular - Tropicália - os conceitos experimentais ; Sérgio Mendes, ao contrário de Mário de Andrade, achava que "modernismo" não erasinônimo de "nacional".

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Clube da Esquina I - o início da viagem



O disco começa com "Tudo o que você podia ser", de Lô e Márcio Borges.

O Lô começa na batida do violão de nylon, meio rasgado, está presente uma latino-americaniedade que o Lô coloca em sua música, uma espécie de influência da américa espanhola, nem tanto nessa música, o lance do compasso ternário, mas está bem presente no Lô.

O violão começa, e ele está com uma afinação alternativa, que eles usavam (os "clubistas") com freqüencia: o Mizão é Ré, ou seja, um tom abaixo, tornando o violão de 6 cordas mais próximo do de sete, pelo grave do baixo.

Com essa afinação, a formação do acorde e as inversões são mais ágeis de tocar, o que a galera buscava mesmo, essa flexibilização da harmonia.

E essa harmonia é um negócio muito bonito, utilizando intervalos de segunda, dentro do acorde, dando um colorido bem legal.

Depois entra a voz do Milton, e a suas primeiras frases melódicas colaboram com a dinâmica dos acordes, realçando o lance das segundas. Além disso, tem um reverb-natural-anos-70-roots, que não sei o que era, mas deixa bem característico o som da voz dele no disco todo.

Agora a guitarra e o violão de 12 vão pontuar alguns momentos, utilizando um efeito estéreo muito bem mixado (pra época), e muito bem arranjado, cada um está numa região do instrumento, um faz dedilhado e o outro palheta. Parece que os horizontes do som vão se ampliando.

Quando chegamos no clímax agudo da melodia, com o Milton atingindo com potência, a bateria entra com a virada e o baixo (Beto Guedes) vem junto, assim como a percussão: caxixi, tumbadora. Quem tá na batera é ninguém menos que Robertinho Silva.

O refrão instrumental tem um lance ao mesmo tempo mineiro-caipira, o riff em terças, mas é rock também, pelo modo como é tocado. Esse tipo de fusão vai marcar muito o clube.

O Wagner Tiso vai entrar fazendo uma bela cama com o órgão (meio duplo sentido não?).

É impressionante como som vai ganhando cada vez mais riqueza, sem nunca os instrumentos se esbarrarem ou se anularem. Um excelente arranjo.

A letra é aquela coisa Márcio Borges...

Uma poesia que tá dentro de nós, nem é mais dele, é de Minas e do Mundo...

"Com sol e chuva
você sonhava que ia ser melhor depois
você queria ser o grande herói das estradas
tudo o que vocÊ queria ser

Sei um segredo
você tem medo, só pensa agora em voltar
não fala mais na bota e no azel de Zapata
tudo o que você podia ser, sem medo
E não se lembra mais de mim
você não quis deixar que eu falasse de tudo
tudo o que você podia ser, na estrada

Ah! Sol e chuva na sua estrada
mas não importa, não faz mal
você ainda pensa e é melhor do que nada
tudo o que você consegue ser, ou nada"

sábado, 30 de agosto de 2008

O lugar da Música na Civilização Ocidental

Reflexões:

I.Introdução: A Grécia Clássica; o Apolíneo e o Dionisíaco na música.



O pensamento musical grego esta presente em grande parte do inconsciente coletivo ocidental. Sua base técnica foi formulada, principalmente, pelos estudos de Pitágoras, que descobriu a importância das relações matemáticas na música, e que a música, em si, não deixava de ser fundamentada sob relações numérico-intervalares. Ao mesmo tempo, investiu num caráter místico dessas relações, em analogia as esferas celestes: A Harmonia das esferas, a música inteligível do Cosmos.Damón chama a atenção para a questão do Ethos (Ética) dos modos musicais, cada um correspondendo a uma região diferente de atuação, bem como diferentes estímulos de comportamento no ouvinte, representados pelo antagonismo básico: Apolíneo e Dionisíaco. Apolo, deus grego da Música, representava o comportamento equilibrado, o ideal de cidadão da pólis, e sua música característica exaltava esse caráter de Ordem, de disciplina do bom cidadão. Dionísio, deus grego do Prazer, representava, pelo contrário: o comportamento instintivo, desequilibrado, e sua música exaltava a festa, a orgia, a Desordem, tudo o que a visão político-pedagógica de Platão e Aristóteles censurava para o “bem andar” da pólis.Platão, influenciado pelas idéias pitagóricas, acreditava que Música atuava como metáfora da sociedade, representação, simulacro. Defendia a imposição de um padrão musical como parte de um projeto político, que utilizava a música e a ginástica para a formação do cidadão. A ginástica fortalecendo seu autodomínio, sua disciplina, e a música aproximando-o da filosofia, através do Belo. Logicamente, a música “apropriada” para Platão é a Apolínea, com sua ordem e harmonia. Identificada como pertencente aos cultos dos escravos, a música Dionisíaca, com seu predomínio do pulso sobre as alturas vai sendo abolida, num processo que a deixará aprisionada pela música das alturas durante toda a tradição, do cantochão ao seu retorno em Stravinsky e nos minimalistas.Com Platão torna-se evidente uma dicotomia que, como uma cicatriz há milênios marcada, divide a música em música inteligível (aceita) e música sensível (não aceita).Aristóteles, porém, como todo bom aprendiz, irá questionar seu antigo mestre, resgatando a questão do prazer, do hedonismo presente na música sensível. Defende o conteúdo social da música, ou seja, a utilização de diferentes formas do poder que ela exerce, dependendo do objetivo visado e do contexto social que ele se insere. Pensava, também, na educação musical para formar o ouvinte. Nessa época, o músico intérprete era visto como mero artesão, não como artista. Quem tinha esse papel era o compositor, “o pensador” da obra. Os músicos instrumentistas geralmente eram escravos, que se viam obrigados a tocar para seus senhores.Outro filósofo importante no pensamento musical grego é Aristóxeno. Destacou o conteúdo estético da música, indo de encontro à divisão platônica e seu privilégio da música inteligível: refletiu principalmente sobre a dimensão técnica da música sensível.Ordem e caos, razão e prazer, Apolo e Dionísio, música inteligível e música sensível. As bases de uma filosofia da música que irão desenvolver conceitos duradouros não só na história da música, como também na civilização ocidental.

II. Idade Média: A Teologia na Música e a Música na Teologia.


Ao longo do período conhecido como Idade Média, quando o Feudalismo vai se firmando na Europa, outro elemento de extrema importância adquire cada vez mais poder e influência: A Igreja Católica. Sendo, ela mesma, uma síntese de duas culturas e tradições diversas, a greco-romana (com todo o background musical-político discutido anteriormente) e judaico-cristã, com noções musicais igualmente diversas, haverá uma necessidade primordial, explicitada no pré-Renascimento, de garantir uma Unidade uma Uniformização, para o melhor funcionamento e dominação da instituição católica.“O canto gregoriano é um herdeiro, neoplatônico, da Harmonia das esferas.”, e integrante dessa tentativa de unificação litúrgica da Igreja Católica. O pensamento teológico na música, sendo seus principais ícones Santo Agostinho e Boécio, “tricotomizará” a música: Mundana (cósmica), representando a Verdade, Humana (pensada), teologia da música, e a Instrumental (execução humana), “ruim, mas necessária”. Quando dizemos instrumental nos referimos somente à música vocal: o instrumento é banido da Igreja. “Mais explicitamente do que na teoria platônica, a música das esferas a que o cantochão corresponde é a música que se desenvolve no campo das alturas, negando o ritmo recorrente e as estruturas simétricas da canção popular para fluir estaticamente sobre seu leito de sílabas sonoras, evoluindo sob o arco dos seus desenhos melódicos. O arco é, justamente, a forma arquitetônica que permite aumentar a distância entre as colunas sob o teto de um templo: a ampliação do tempo sob o arco frásico das melodias dá ao canto gregoriano a sua temporalidade particular, sua respiração ao mesmo tempo flutuante e grave, seu caráter tendencialmente extático, em oposição às músicas do transe (o transe é dinâmico, um zero mental que se transforma em movimento de corpo; o êxtase é estático, o corpo não se move).” A idéia de uma música que sublima o pulso, o ruído, estática, para valorizar o texto litúrgico, uma música divina, será confrontada em sua própria essência pela sensualidade da sedução diabólica que ela mesma oferece. Nessa oscilação entre a negação e a volta do sensual na música, exigindo que ela esteja completamente “depurada”, é que a polifonia medieval irá se desenvolver. A medida em que técnicas de contraponto e de notação musical vão exigindo uma necessidade pragmática, aproximadamente a partir do século XIII, ocorrerá uma sistematização do fazer musical, que será parte do firmamento do Tonalismo na música ocidental européia, bem como servirá de base para o conceito básico da ciência moderna: a mensuração do tempo.

III. Música pré-Renascentista e Renascentista: laboratório experimental da construção do tempo-espaço moderno.


“A passagem do modal para o tonal acompanha aquela transição secular do mundo feudal ao capitalista e participa, assim, da própria construção da idéia moderna de história como progresso.”Nessa transição, uma mudança radical de paradigma se dará: a naturalização do mecanismo inventado do tempo métrico: o tempo como invenção humana moderna.Historicamente, as medidas do espaço foram mais necessárias do que as de tempo. Antes, era só necessário acompanhar o tempo, e não medi-lo.Funcionando como um grande laboratório de experimentos: a composição, a notação e a execução musical; as músicas polifônicas pré-Renascentista e Renascentista estabeleceram conceitos para o desenvolvimento da ciência experimental. Galileu abstrai a idéia de tempo, “pegando emprestado da experiência polifônica”, matematicamente regulado, um fluxo mensurável, para estudar o movimento dos corpos.As bases da física moderna estão lançadas.A música litúrgica polifônica havia adquirido um nível de complexidadetamanho, que os chamados motetos eram compostos com até três línguas: o latim da linha de tenor e fragmentos de canções profanas nas vozes agudas. Mistura de sagrado e profano, dentro da Igreja. O papa João XXII, em 1324, acaba por condenar os excessos da chamada Ars Nova. O caminho que se dará a seguir será o da afirmação do Tonalismo em contraposição aos modos modificados dos motetos de diferentes regiões da Europa. Assumindo, como analogia às artes visuais, podemos utilizar como exemplo:- Gregoriano - Pintura medieval- Ars nova - Pintura pré-Renascentista- Polifonia (mais consolidada) - Pintura RenascentistaA questão chave é a conquista do tempo e do espaço como formadora do mundo Moderno. O interessante é que a matematização do mundo nasce das artes.A música Renascentista considera a medieval como confusa, e vai buscar um controle maior, uma maior compreensão do texto, evitando a confusão da intertextualidade. A idéia de Unidade da obra artística e sua comunicabilidade. Começa a haver, então, uma tentativa de trazer o sensório para o texto, a ilustração do texto pela música: imagens musicais.

IV. Conclusão

Refletir sobre as interseções da Música na Sociedade e vice e versa é sempre valioso. Podemos perceber a importância da Música relacionando-a com o contexto histórico: muitos de nossos pré-conceitos têm como fundamentos elaborações teóricas dos pensadores da música, compositores de música da Grécia Clássica, Idade Média, Renascimento.Ainda hoje, a arte é menosprezada na educação, porque a ciência é vista equivocadamente: o cientista não deixa de ser um compositor, um artista que formula hipóteses para explicar o mundo.“A Física surgiu graças à Música”Maravilhoso.


Bibliografia:


- WISNIK, José Miguel. O som e o sentido: uma outra história das músicas.2 ed. São Paulo: Companhia das Letras,1999.

-FUBINI, Enrico. Pláton, Aristóteles y la crisis del pitagorismo. In :La estética musical desde la Antigüedad hasta el siglo XX:Alianza, 1999, p61-82.

-SZAMOSI, Géza. Lei e ordem no fluxo do tempo: a música polifônica e a revolução científica. In: Tempo & espaço: as dimensões gêmeas.Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988, p.104-188.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Milton Nascimento - o começo do infinito


É a primeira vez que escrevo aqui sobre o Milton, mas, podem ter certeza, não será a última.
Muito pelo contrário.
A vida e a obra de Bituca merecem estudos atenciosos. Para quem não sabe, Milton é a minha
maior inspiração artística. Nada supera a força que sua voz, suas músicas e seus discos tiveram
na minha alma.
Tudo começou na casa a minha vó.
Ao visitá-la, gostava de xeretar as coisas antigas do quarto da minha mãe e do meu tio.
Livros, fotos, e é claro, discos.
A vitrola estava cacarecada, mas funcionava. Entre umas e outras, coloquei o disco "Clube da Esquina".
Minha vida mudou.
Nunca tinha ouvido algo como aquilo. O que conhecia de Milton era aquela "música do Senna" e Maria Maria, ou seja, a coisa mais manjada (acho que são uma das mais chatas músicas dele, e olha que gosto muito das 2).
Esse disco merece textos e mais textos.
Amanhã escreverei mais sobre ele.
Tenho que sair.
Aguardem.