segunda-feira, 5 de abril de 2010
visita
domingo, 4 de abril de 2010
vi a chuva
quarta-feira, 31 de março de 2010
Poema retirado de uma notícia do jornal nacional
segunda-feira, 29 de março de 2010
heresias
sábado, 27 de março de 2010
vendinha
quarta-feira, 24 de março de 2010
cheiro de mulher
sexta-feira, 19 de março de 2010
A História de Nana
domingo, 7 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
o menino
sábado, 13 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
mas o poder dela está em tudo aquilo que só você pode sentir quando ler
ou sentir achando que eu senti
nunca uma frase se esgota
a não ser quando lida pela razão
assim como não deveríamos esgotar a leitura de uma pessoa
com os olhos, tato, cheiro, camisa, sapatos ou nua
inventar uma leitura ajuda nesse caso
e nos outros
a gente se esqueceu de inventar as coisas
e agora só enxerga sete cores do arco-íris e ouve sete notas músicais
bom mesmo é enxergar mil notas músicais
e ouvir mil cores
na poesia pode isso
o leitor ou o poeta não precisam acreditar
nem fingir
na poesia não há espaço para ilusões como acreditar
ou fingir
só há um grande espaço para
sábado, 30 de janeiro de 2010
dança de salão
procuro o passo
e desacho
no meio do salão
quando quero o fico
pressinto o tato
e desfecho
o samba e a razão
quando quero o umbigo
preciso de espaço
e desenlaço
as pernas e o coração
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
talvez seja a noite que impregna nas ilusões um gosto de coisa
mas não, foi essa tua dança, tua virada de quadril
mas não, foi esse teu quadril, tua virada de dança
se fecharmos os olhos conseguiremos enxergar o futuro
ou será que se fecharmos o futuro conseguiremos olhar o fecho
o fecheclér
o feixe eletromagnético de todas as tvs
o peixe elétrico
talvez seja a ilusão que impregna na noite um teor de gosto
um gosto do cheiro
um paladar do toque
sua dança anônima
- não existe e ainda sim está
uma nova descoberta precisa de um grito
terra-a-vista ou coisa assim
mas preferimos manter assim
prefe-rimos
de
rimas
sim, é a noite
é você
é essa bebida
é esse olhar
é essa noite
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Religião
dá pra ver vários pontos brilhando.
e pensar que estão tão distantes, que podem até não existir mais.
(ou que talvez nem existam de fato, são apenas furos num papelzão preto cobrindo a Terra e alguém bem grande com uma luz atrás)
procuro as constelações do zodíaco.
mesmo sem acreditar em astrologia.
os signos que o mundo oferece a gente já não sabe mais ler.
às vezes me perco durante algumas frações de segundo.
depois, um cachorro engraçado, uma criança de rua, uma moeda no chão,
uma buzina de carro, um olhar de menina, alguma coisa vem e diz que as coisas existem mesmo,
ou melhor, que é melhor eu acreditar que existem, e atravessar logo a rua porque o sinal já está abrindo.
mesmo quando você tenta fugir, desacreditar, a vida te oferece tanta poesia!
escrevo como religião. escrevo até acreditar.
sábado, 9 de janeiro de 2010
passagem
e outra na chuva
eu sou cidadão do mundo
mas perdi meu passaporte
só posso andar descalço
e de passagem
uma dança nasce em mim
e outra na uva
eu sou coração profundo
mas ergui meu muro forte
só passo andar em falso
e de massagem
uma crença nasce neblina
e outra na rua
eu sou caminhão imundo
mas ver-te me fura a morte
só aço arde o aço
e de mensagem
domingo, 3 de janeiro de 2010
é preciso?
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Memórias 3
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Memórias 2
sábado, 26 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Memórias 1
Inauguro hoje, dia 17 de dezembro de 2009, uma espécie de autobiografia de coisas que eu lembro, e de lembranças inventadas. Se você leitor quiser saber ao certo a veracidade desses fatos e memórias, só posso responder citando o Manoel de Barros: “só dez por cento é mentira: o resto é invenção.”.
Uma das minhas lembranças mais remotas e a sensação de tocar na areia pela primeira vez. Não sei se é uma lembrança da sensação ou se é apenas uma sensação imaginada pelo jeito que minha mãe contou o ocorrido.
Era um dos meus primeiros dias numa creche, quando decidiram me mostrar o parquinho, onde tinha aqueles brinquedos e o chão todo de areia. Pensando hoje, parece que a areia é uma forma de evitar que as crianças se machuquem ao cair. Uma boa idéia. Pois sempre caem, é inevitável.
Eu devo ter pisado na areia e estranhado. Que coisa esquisita...o chão agora não é duro como os outros chãos...Deve ter sido curioso. E com aquelas perninhas tortas eu tentei andar um pouco na areia.
Pelo pouco que me lembro, eu devo ter estranhado tanto, que decidi sentar na areia e analisar aquele chão esquisito, com as minhas próprias mãos, numa atitude claramente experimental, de um futuro homem da ciência, instigado pelo conhecimento. Exagerei um pouco, mas ficou legal. É melhor guardar as imagens e sons com um pouco de exagero nas partes legais, nas partes que animam. Juntando tudo, a vida parece mais viva na memória.
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Quando eu fiz 13 anos decidi mudar minha vida completamente. Já não era mais o mesmo Taiyo. Ou não queria ser. Definitivamente, estava entrando na adolescência. O primeiro passo foi na escolha do presente de aniversário.
Fui para uma livraria dessas enormes que vendem de tudo, direto para a seção de música, cds, dvds. Já tinha algo em mente. Dois cds: um do Jimi Hendrix que eu tinha lido sobre na revista Playboy, e outro do Black Sabbath...acho que era Black Sabbath ou AC-DC.
Segurei os cds nas mãos, todo confiante, e peguei uma daquelas maquininhas para tocar e ouvir o disco no fone de ouvido. Epifania: sem saber, deixei o volume no máximo. Sorte ou não (nada é por acaso), a primeira música do disco do Hendrix começava justamente com uma porrada na guitarra, uma palhetada forte pra cacete, muito alta e distorcida.
Aquele som fudeu qualquer neurônio da criança que existia em mim.
No natal, pedi uma guitarra:
“Igual a do Jimi Hendrix”.
Agora sim, a criança estava morta, e um longo período conhecido como adolescência estava para começar, com muito rock (Hendrix, Sabbath e Zepellin, drogas (guaraná, açaí e paçoca) e sexo (solitário). É triste mas é alegre.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Felina
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Ela
domingo, 6 de dezembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
Aquilo
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Noite anterior
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
Limitedosom - vinhetas no Myspace
terça-feira, 3 de novembro de 2009
A Charrete
Eu lembro daquela foto.às vezes eu me lembro daquela foto.
eu não lembro do que foi aquela foto.
eu lembro da imagem da foto.
às vezes eu sinto o que eu vi, quando tiraram a foto.
o menino estava correndo, junto com os colegas da escola, numa fazenda.
"Piperama".
o menino entrava em uma cidade em miniatura, uma cidade das crianças.
numa dessas casinhas, roupas de adulto, antigas. de quem eram?
o menino coloca a roupa e vê uma professora, ou uma dessas mulheres-senhoras que
cuidavam das crianças.
ela está com uma máquina fotográfica. ela tira uma foto.
o menino cresceu e hoje vê a foto.
o menino morreu, para nascer o garoto, e o garoto morreu, para nascer o homem.
Eu lembro daquele menino. eu não lembro daquele menino.
e na lembrança do menino?
como ele lembrará o homem?
domingo, 1 de novembro de 2009
zentimental
na janela do sol que bate no brilho
eu vejo só o miró do mirror
eu vejo, só, o sozinho de mim
eu vejo o Tejo e a liberdade
a pátria a morte oh liberdade
eu vejo o Oriente a oriente do oriente sorridente
o rio rente o Rio
eu rio do que vejo por que vejo o sole mio
eu canto o beijo que recebo do sol
na testa na cabeça no trem asul
zentimentos em meu peito eu tenho demais
zentimentos em meu peito eu tenho eu
o eu zente muito a minha mente
e zentimentalmente falando a gente não mente
fosse um samba seria canção
fosse uma cueca seria branca
fosse uma bandeira seria do Brasil
tenho em mim todas as respostas para as perguntas que elas geram
mas tenho em mim todas as respostas para as respostas que elas não respondem
fosse eu Deus e transformaria arte em ouro
poesia em ouro
e ouro em poesia
mas sou humano, demasiadamente humano
e só opero equações de primeiro grau
e ditado com 10 palavras. ponto final.
eu aprendi na escola como escrever as palavras
mas o significado eu aprendi na rua
em todas as minhas pequenas mortes
e pequenos nascimentos
em todos os cuspes e tapas na cara
e carrinhos do futebol
se você queimou aquelas poesias
feitas de caderno amarelo e lápis
só fez questão de ilustrar o que estava escrito
cinzas e promessas e futuros já passados
poesia de criança só serve para queimar papéis
e embrulhar balas ice-kiss
a verdadeira poesia
ficou guardada no meu futuro
a verdadeira promessa
já pegou o primeiro ônibus escolar
a verdadeira canção
eu cantei e esqueci
estou de pé e pulo e grito e gesticulo com o abismo
numa luta eu me domino e continuo a continuar
piso duas vezes no mesmo rio
jogo a piada no lixo
e planto um som no mundo
domingo, 25 de outubro de 2009
a alegria existente em cada mínimo objeto e em cada mínima criatura
quando eu perceber que a alegria é minha e Tua
quando eu perceber
que o Eu não existe
a alegria que persiste e me persegue, me fecundará do presente
quando eu perceber
a música do silêncio
a musa de-quando-fecho-os-olhos
a poesia dos corpos em movimento
a vida nascendo nas nuvens
os sonhos trazidos pela chuva
a história dos meus ancestrais
a minha história ancestral
o meu futuro ancestral
o nosso futuro ancestral
quando eu perceber
que perceber é mais Ser do que ter
quando eu dar sem procurar receber
quando eu perder o medo
da morte
do desafio
de revelar a minha ignorância
quando eu perceber
que somos Um
será poesia
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
coisas
mas as coisas acabam.
até uma poesia acaba.
o fim é uma etapa importante
de todos os processos.
a memória acaba?
pode ser. até a memória pode acabar.
é preciso o fim para que venham novos começos
e novos fins para outros novos começos.
o fim evidencia a mudança, o movimento do mundo.
a saudade acaba?
pode virar memória. e até a memória pode acabar.
saudade só tem no português. maldita e linda língua essa que
espalha saudade pelos portos. até a língua portuguesa terá seu fim.
fernando pessoa, de certa forma, voltará para o rio de sua aldeia, o rio nenhum,
em formato de pó e silêncio.
e o amor?
o amor pousou de levinho em nosso futuro, só pra fazer cosquinha, contar causos
e partir,
mas deixou o sorriso. o amor é generoso. deixa coisas, mesmo que seja nada,
deixa coisas.
coisas que não pesam e pesam mais do que bagagem
coisas que lembram do futuro
coisas que resolvem poesias
coisas feitas de pedaços de parede e mel
coisas pequenas que você deixou cair
coisas que voam de carona em perfumes
coisas que alguém se esqueceu de dizer e vento às vezes trouxe
coisas
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
e mastigo, castigo
eu guardo sentimentos no peito
e grito, mito
histórias que existem desde o começo do mundo
desde quando as águas andavam na face do nada
e quando o verbo se fez árvore
dentro de mim tem uma casca
e fora tem um centro
quem quiser saber meu nome
é só olhar no espelho
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
ele refletiria
se ele fosse um reflexo
ele fingiria
as batidas de coração
vêm do centro da terra
um centro onde todas as bocas do mundo
urram
se as batidas fossem minhas
elas seriam de todos
em cada boca e em cada beijo
se espera um segredo
embrulhado em saliva
se meu coração fosse de plástico
estaria boiando na baía
com uma carta ainda vazia
que eu mesmo leria
um dia
se meu coração fosse seu
ele seria meu
se meu coração fosse real
ele seria feito de sonhos
o mundo dorme sonos dogmáticos
e nós preparando o jantar para a morte
se meu coração fosse
ele seria
