quarta-feira, 15 de setembro de 2010

primeiro homem

em algum momento
o primeiro homem do mundo
fez um poema
e tudo foi partindo dali
a energia
condensada num gesto
desforme primavera
espalhando sêmen
nas coisas primitivas
e trazendo deus
no florescer das estações

e desse vento
vindo vivo vasto e verbo
inventou a primeira mulher
já com lágrimas
sexo
e perdão

essa mulher era ele mesmo
fantasiado de real
era seu próprio sonho
acordado
era de sua carne
intocável
era eva
hera
erva
feita do mais puro negro
de de dentro de si mesmo
uma sombra com luz

e quando os gestos se completaram
a incompletude do humano
em ambos
fez-se divindade

e nasceu o sol

e uma flor

e eu sorri

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

o movimento de ficar parado

o vento passa
na janela dos meus olhos
o ventre aberto
e ela passa
com asas abertas
na janela do apartamento
o vento descobre
a cortina da memória
e nos conhecemos
fora do tempo
o vento e espaço
entre ela e eu
o vento sou eu
flutuando acima do som
de um sussuro suspenso no chão
o vento e escuridão
de quando eu abro os olhos
eu só vejo de olhos fechados
o vento na minha mão
na janela do desejo
um retrato onde se pode
ver perfeitamente
nada

uma janela escancarada
por onde o vento venta
enquanto o tempo tampa
promessas de um passado
eu caio sem rede
num chão que é céu nublado
enquanto me desoriento
com seu vento na parede
do seu quarto

o vento passa
o tempo passa
parado

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

poesiar como quem voa

não sei porque
mas me veio uma vontade de querer voar
no meio do poema

e eu abri os braços
e transei

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

transar como quem voa

não sei porque
mas me veio uma vontade de querer voar
no meio da transa

e eu abri os braços
e gozei

mandar freud tomar no cu

acabei de ler um poema de meu amigo Álvaro Juvenal - http://cinzasdapoesia.blogspot.com/
e uma grande satisfação vem na cara da minha alma.

satisfação sexual
como só poemas podem lubrificar de gozo
minhas palavras duras

satisfação palavral
como só o sexo pode luar
meu pau

satisfação pessoal
como só Pessoa
pode enfiar o dedo no cu da razão
(junto com o Manoel)

satisfação ingênua
como só ver as primas nuas
e olhar debaixo das saias do pedro segundo pela rampa
e passar a flauta doce na bunda das meninas indo pra aula de música

satisfação infantil
de pular em piscina de bolinhas
de tirar o brinquedo de outra criança
de tirar meleca
de mijar no pique-esconde

satisfação maconhal
de estar aqui agora vivendo o presente sem tempo
com alguma coisa de malandra
permeando as coisas todas em nada

satisfação amigal
de falar merda
de falar da vida
enquanto o apocalipse inunda de vertigem e violência um mundo caduco

satisfação poetal
de ler um amigo
muito mais poeta
porque brinca com as palavras
como quem enfia o dedo no cu

de freud


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

aqui

e a vida mais uma vez recorre aos breves mistérios que ocupam a paisagem eterna da noite em nossas almas

alguém toma uma coca
barulho de janela se abrindo
cães chamam seus ecos
na rede globo um anúncio
um calor no ar como se fosse chover amanhã
um avião passa riscando o ar com som
alguns grilos morrem ao fundo
a cidade está quieta
quase dormindo
você está em algum lugar

eu estou aqui

teu corpo

teu corpo
não é como uma nuvem metafórica
que pode ser
e também não se curva
pela geografia feminina
dessa cidade maravilhosa
não silencia como a lua
e nem pertence aos encantos do outono
como um orvalho faminto
sugando as lágrimas da chuva

teu corpo não é feitiço nem doença
não se espalha pela grama como formigas
nem tem a extensão como a de um pássaro inventado
sem asas e sem perdão

teu corpo não é de virgindade
não é como o tempo escorrendo de relógios
nem como a lógica escorrendo de ralos em poemas
não inventa primaveras com o gesto
nem se comunica com fumaça em línguas de índio
como silêncios gritados de passados ínfimos

teu corpo não é como o cinema mudo
não ficciona o movimento incerto
não emociona como um mendigo feliz

teu corpo não é como outra coisa
que não o teu corpo

teu corpo é como teu corpo
e nem como ele é

teu corpo é teu corpo

sólido
imperfeito
humano

corpo de mulher

abismo revisitado

eu tenho como sina
me fazer poema
e provar a cada dia
que a vida não vale:
queima

cada dia uma reza
uma fantasia
me fazer poema
rir como quem rima
ser como um poema
ver de olhos livres
cor e alegria
me fazer cinema
sinestesia
e provar a cada dia
o doce amargo
do santo seio
suspiro

pular do precipício
mesmo sabendo
que não tem mesmo abismo

nós

no claro da noite
no rastro do invisível
no sistema lunar
no brejo das almas
no porto adormecido
no velho menino
no sonho acordado
no beijo partido
no feliz aniversário
no foco da neblina
no olho do furacão
no meio do redemoinho
no silêncio gritado
no sol sustenido
no meio da rua
no disco de vinil
no prato vazio
no gole frio
no trabalho forçado
no discurso político
no passo apressado
no assunto esquecido
no vigia noturno
no mundo girando
no mundo da lua
no pedaço de bolo
no átomo partido
no lindo absurdo
no relógio quebrado
no jogo da vida
no baralho cortado
no vaso de flores
no vaso sanitário
no são francisco
no armário embutido
no quadro de horários
no vicente celestino
no banheiro da escola
no azul do mar
no azul do cu
no capacete preto
no formigamento do pescoço
no soluço de vinho
no gosto de vidro
no corte no pé
no sonho cicatrizado
no desenho do dragão
no gosto de vertigem
no sabor da morte
no vermelho vivo
no mindinho do pé
no perigo na esquina
no clube
no cativeiro liberto
no tênis sujo
no canto do quarto
no canto
no quanto
no quase
no nada
no nome
no novo
no livre
no fado
no sonho não sonhado

em tudo aquilo que vejo
me sou e não me caibo

em tudo aquilo que cheiro
me sinto e não me faço

em tudo aquilo que toco
me cego e não me abro

em tudo aquilo que como
me sacio e não me basta

em tudo aquilo que nada
aquilo tudo em que nada
tudo aquilo que nada em
nada que em aquilo tudo

poesia é perder é perder poesia
nos
nós

terça-feira, 24 de agosto de 2010

dobradura

ao dobrar a esquina
bem ali no meio da calçada
esbarrei num homem apressado
que era eu

e como se dobrasse um poema
as palavras, trocadas, agora
indefiniam-me melhor do que nunca
que eu me fosse

e como se dobrasse uma música
as pausas, agora compassos e desritmia
repercutiam no vazio da minh`alma
como um silêncio gritado
que eu seria

e como se dobrasse horizontes
as gaivotas alteravam suas rotas
em zigzagues de pollock
brincando de arte com os raios de sol
sombras de nuvens metafóricas
que podem ser

e como se dobrasse minha coluna
esparramando os braços sobre a geografia feminina
dessa cidade
eu faço origami
de mim mesmo

e fica um pássaro
com asas de palavras.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

gravidade

de olhos fechados
caminhando na ponta dos pés
sorrateiramente entrelaçamos nossos corpos
à procura de um silêncio azul por de dentro das vertigens
e vamos reconhecendo a memória do futuro, voando aqui no longe
por entre bandeiras de tripas e trinados vocalises enfeitando o chão celeste
e vamos descobrindo américas e cangotes onde a felicidade inventa limites em gorjeios
e vamos colorindo os sons com o toque áspero de um beijo perfumado de nadas roubados
como escravos construindo pirâmides ao contrário, nós entramos no barro da terra em plena madrugada

e cantamos um samba
e dançamos um samba
na ponta dos pés
no abismo

mesmo sabendo
que não tem abismo

só queda.

sábado, 21 de agosto de 2010

aniversário do blog - 2 anos

agora que me dou conta:
esse blog tem exatos 2 anos.
está fazendo aniversário hoje.
olhando para trás, para o primeiro post, percebo o quanto ele mudou
o quanto eu mudei.
eu texto eu mesmo.
é engraçado ver esse percurso todo,
2 anos escrevendo com uma certa regularidade
dão uma certa intimidade com o eu texto.
mas é sempre um mistério e sempre uma descoberta
das américas e cangotes.
percebo que me repito muito
isso é estilo.
não faz mal.
depois de 2 anos, que fazer?
como manter ainda o interesse nesse casamento com as palavras?
se bem que não é um casamento comum.
é meio aberto para o dentro.
e aberto meio para fora.
como um olho de onde sai uma pessoa de de dentro.
tempo tempo tempo tempo.
piscar e o poema passa.

recomendo pra todo mundo:
escreva. tenha um blog. escreva regularmente.
claro, não é porque escreveu que está bom.
mas escrever está além do bem e do mal.
e lá de onde tem o nada
é que vem o eu texto.
um bom poema é tão nada
tão transparentemente opaco
que só dá pra ver o leitor
vendo o mundo
vendado.

engraçado ver o primeiro post desse blog,
como eu não tinha idéia de onde chegar.

e consegui chegar!
no não lugar!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

brincando de arnaldo antunes mas podendo depois reescrever, mudar o título e virar uma poesia mais com cara de poesia séria

as coisas que valem a pena são de garça.

as coisas que valem a pena são de

graça

as coisas que valem

só graça

sogra

S.A

as coisas

que estão no vale

são as garças

voar no vale é de graça

voar pra valer

que nem a garça

faz

fax

faxina

as coisas que valem a faxina

são de graça

as coisas que valem

a rima

são grátis

são

loucas

são loucas, tá?

deu.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

elefantes em posições de yoga

é muito difícil fazer um poema
porque é preciso usar uma força descomunal
com as palavras
para juntar corpos tão díspares quanto contrários.

(força descomunal é força fora do lugar-comum)

(você pode até usar o lugar-comum
contanto que ele esteja fora do lugar)

um soco dócil.

um beijo do sol.

um céu aqui no meu pé.

ontem descobrirei.

Uma breve estória do eu finito

Minha vida começou quando comecei a escrever.
Essa frase.
Antes dela não havia luz nem barro.
Não havia nem mesmo o tempo verbal.
Só havia o desverbo.
E seres invertebrados começaram a andar por de sobre,
roçando nas letras e nos pequenos abismos.
Choveu fininho e depois muito.
O sol beijou no rosto de uma ameba
e ela floresceu virgem um verso
de poema.

Minha vida começou quando flores e eu
nos abrimos para o sol penetrar.
Ele umedeceu o chão dos silêncios
com saliva quente e multidão.
A gravidade insistiu em cair sobre nossos
.............................centros...............................
deslocando o peso das frases para o
...............................................................fim
como..................em
...........elefantes......posições
................................................de yoga
se desequilibrando em pluriversos paralelos.
Do primeiro gozo ao cair no chão cresceu um
poema.

Minha vida começou quando terminou.
Como terminou
modificou-si-chão
Onde terminou
movimentou-si-em-vão
O quê terminou
coisificou-si-tão
Quem terminou
identificou-si-não
poema.

Começar um poema é começar a viver.

sábado, 14 de agosto de 2010

cair

tropeçar
cair
jogar o umbigo no teto
terreiro
tropeçar
olhos fechados
jogar a coluna no teto
cair no céu
olhos abertos
cair em sol
tropeçar
em cima de tua
terra e vista
cair
novamente cair
relembrar o que não viu
sonhar com teu cheiro
travesseiro
abismo
sentir o perfume
laranjanela
ela caminha
cair do silêncio
cantar
uma aquarela
segundos intensos
segundas intenções
terceiro sol
cair
a noite
em si
tropeçar no abismo de ser
feliz
pedalar a madrugada
num sorriso num pé
pisar o terreiro
sagrar
sangrar de si
em cima do céu
chorar
cair
tropeçar numa pedra
no caminho
uma pedra
espirro de poeta
espinho
cair
novamente e novamente
cair
inventar um destino
cair
cair


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

mapa

escrevo um soneto com meu corpo
e percebo que não é um soneto
já que não tenho forma
nem conteúdo

sou todo nada.

escrevo um soneto com meu corpo
e bebo lágrimas da lua sem copo
direto no gargalo do galo da noite
gauche na garganta um grito entalado

sou todo nada.

escrevo um poema com meu sangue
mas não serve
porque poema que é poema
não coagula

sou quase tudo errado.

escrevo um silêncio com berros
acasalando socos com borboletas
acasalando formigas com bombas atômicas
acasalando olhos de moscas com boings 747

sou enquanto não me sou.

escrevo sinceridades falsas
sobre tudo o que não sei
sobre eu e você
sobretudo: nada

soumos eus e voceus numa jangada.

escravo com meu corpo
de palavras cativadas

escracho - SKASHOW - SCJAJREUH - SCRSJFCO
esterco - 01111100001101000100110100111000101111110100010010010

escrevo com meus medos
pesadelos mais sonháveis que a vida

escrevo com meus nadas
naus e as náuseas
de navegar por mares ias
como quem navega bacias
quentes de barrigas lisas
meninas

escrevo com meu desejo
de querer tudo ao contrário

odut oa oirártnoc aroga

só te prometo uma coisa:

minto

mato

meto
---------------------
não tenho mapa
a não ser meu corpo




sábado, 7 de agosto de 2010

Paraty

Não sou Manoel de Barros.
Não posso ser Manoel de Barros.
Não posso querer ser Manoel de Barros.

À parte isso, tenho em mim sonhos molhados de peixes e vaginas.

Queria ter 7 anos, mas tenho.
Admiro cães vadios que se lambem sem dar bom-dia.
Sou irresponsável para ser vadio.

Poesia pra mim já nasce com recheio de minhas porcarias.
Seria preciso enxugá-las com minha reza e meu orgasmo.
Mas tenho preguiça de não fazê-lo.
Acabo começando sem começos, como aquele mágico decadente tira papel infinitamente da boca: sou prolixo e pró-lixo.

Ontem me chamaram de prolixo.
Chorei
de emoção.
Os poetas que eu mais admiro sempre foram profissionais de lixo:
são os maiores consumidores daquilo que a civilização descarta.

Prefiro um cão que um fernando henrique cardoso.
Prefiro um doido sem botas que um acadêmico.
Prefiro um churros no chão que um charuto cubano.

Palavra que não se faz de trouxa não merece meu desrespeito verbal.
Eu gosto quando elas vem rebolando, se insinuando todas, mexendo seus quadris silábicos.
As palavras são assanhadas para poema.
As imagens roçam suas vergonhas em mim procurando acasalar com minhas palavras duras.
Eu só digo sim.
Sou facinho pra poema.

O silêncio que vem de mim fica cantando música caipira numa viola sem corda.
(talvez por isso eu fico rouco)

Não posso fugir dos seres que não sou.
Só me resta recolher na beira de meninas os amores que perdi
e fazer um pequeno barco de papel para conquistar cangotes e américas.

Não posso fingir que me sou.
Palavra de poema é quase de teatro: tem que ser ridícula pra falar de amor
e tem que amar a vida pra falar de tragédia.
Quem não tem rima só pode rir de si mesmo.



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

salva me saliva

(o maior perigo é se tornar amigo das sombras que dançam nas praças vazias
cheio de cores de amores e sobrenomescheiro de novas formas de odoresadoro o seu cheiro de dendê e de doença////é minha crença esse ritmoque a vida caminha apressadanas trilhas do meu silêncioinvisto nabolsa de valores ínfimos.........

um átomo de surpresa
subo em cima da mesa
nego o negro do sangue
e sambo em cima da reza):

salva minha saliva
salva a dor e a tristeza
canta um sonho distinto
cospe em cima da mesa

salva a sua promessa
de não ter mais certeza
acho a vida tão linda
nua em cima da mesa

salva a dor do pecado
sal e amor numa praia
particular o recado
de aplaudir essa vaia

salva a sua canela
feito um doce gelado
beijo de sobremesa
beiju caramelado

come a fruta madura
se lambuza de fado
louca lua minguante
parece um c ao contrário

cães dormindo na rua
e eu sonhando acordado
tudo virando nada
fumaça de baseado

salva as mães africanas
com seus bons requebrados
cor de pele profana
coração degredado

salva a porta dos mares
onde dançam os deuses
quero os risos solares
perco os sisos e feudos

adoro o seu cheiro de vida
sublimando a certeza
quero a dança da morte
viva em cima da mesa

joga um charme na praça
arde em chama sem brasa
brasil nas palmas das mãos
fode os sonhos em vão

joga à sua maneira
yoga televisão
joga uma capoeira
cai e se joga no chão

planta uma bananeira
come manga com os pés
sobe na goiabeira
cidade toda ao revés

canta e dança uma musa
usa e abusa de mim
faz um pecado nos USA
salva a dor de ser assim

cataclisma urbano
roubando marias de mim
um ciclista sem pernas
contornando o jardim

salva a linda menina
salve olinda também
salve a dor do prazer
e o prazer que não vem

salve a bola de gude
presa no seu olhar
universo amiúde
alaúde solar

vou cagar nessa estrada
poesiar meu amor
choro bandolins de lágrimas
fujo de onde for

mija numa parede
muro das lamentações
está tão longe da gente
escreve em mijo "perdão"

salva me saliva de sonhos
sonha e salva a cidade
sabe que eu nunca minto
só quando digo a verdade

saiba que eu nunca minto
só quando digo a verdade

domingo, 1 de agosto de 2010

lista preu me lembrar: salvador/semcine/uff

- odara medley no ônibus, com baixolão, durando uns 15 minutos, entrecortando com sossego, e passando o chapéu em algum posto de parada de estrada com uma velhinha colocando 30 centavos depois de dizer depois eu coloco mais é que eu to apertada

- música infinita

- filmes nigerianos! (peido, gente que rouba coisas, pés elefantíacos, MULEQ CAPETA!)

- filme holywoodiano no ônibus: num fode!

- não tomar banho

- aaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhh (fine) aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah (final de teorema do pasolini)

- uma velha coroca não sabendo falar sobre glauber/pasolini

- samba, suor, falta de cerveja, bundas, cabelo afro, negras fortes, rebolar, a origem do povo brasileiro

- cheiro de dendê e mijo

- nova schin

- ficar preso no próprio corpo / mágica de colocar a moeda no cutuvelo

- acarajé: R$2,50

- festa no praia dos livros: festa numa livraria: dança afro e caribenha/eletro!

- elevador lacerda não tem graça

- o cachorro falando "ação" - filme do pasolini

- michelange quay - cineasta maneiro pra caralho do haiti que falou com a gente e que curte glauber, godar e pasolini - o cara é lelepípedo e não sabe

- roger é um treco doido

- tradutores simultâneos: não fode! (o maneiro foi a torre de babel mesmo! francês, inglês, espanhol, italiano até português!)

- não fode!

- sessão de 4 horas: "eu gostaria de chamar a equipe...": não fode!

- filme da helena - "desbundante"

- simone spolladore nua - deus existe e é um escultor e poeta

- selinho na Helena Ignez - musa do cinema brasileiro

quinta-feira, 22 de julho de 2010

velhos sapecas


hoje voltando do remo parei a bicicleta na frente de uma lanchonete para tomar um açaí e enquanto estava colocando a corrente dois velhinhos, bem sapecas, me pararam, um perguntou ela é toda de alumínio? eu respondi que sim e ele perguntou se podia levantar, pegou nas mãos o guidão e levantou e fez uma cara é é boa! uma dessa pra mim ia ser boa, essa tá bom pra velho! ae o amigo dele me mostrou a parte de cima da mão direita e disse ó aqui isso aqui é que eu fui atropelado quando tava andando de bicicleta, e me mostrou uma cicatriz grande, um risco meio branco-cor de pele. eu falei caramba foi por aqui? e ele é. ae o amigo dele, com uma cara bem sapeca, olhou pra mim e disse sem sair som da boca, só gesticulando com a boca, ele é barbeiro...

quero ser um velho sapeca
pegador
esportista
zuador

que nem esses




dedico esse poema ao Seu Adyr, remador ilustre do Clube de Regatas Guanabara, e ao barco canói aberto batizado com o seu nome.



quarta-feira, 21 de julho de 2010

um poema de taiyo omura

se não posso voar por palavras
que seja pela vida
e vício e verso.

descubro nos olhos de um cão a incerteza que me move.
aquilo que as paredes calejadas do edifício onde não moro sussurram no meu paladar diz mais sobre o meu paladar do que as paredes.
meu paladar só sente as cores de música quando durmo acordado.

se não posso voar pelo céu
que seja pela onda do pensamento.

preciso escrever menos num poema,
mas consigo.
conseguir me impede que eu faça.
o desafio me move parado.
a inércia de andar me estimula ao cansaço.
eu tenho até medo de sair desse escuro.
eu tenho até vergonha de não me expor.

o silêncio das palavras pode ser ensurdecedor.

por isso eu canto, danço e faço programa.
p
e
d
r
a
q
n
ã
o
r
o
l
a
c
r
i
a
l
i
m
o

PAH!

(geralmente eu termino com uma frase de impacto)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ditado - nota R

Rio de Janeiro, 12 de julho de 1996
Taiyo Jean Omura

1- macaco

2- retaurantes X restaurante

3- panela

4- árvore

5- casa

6- jornau X jornal

7- gato

8- lipeza X limpeza

9- rato

10- trabalio X trabalho




precisa prestar atenção nos sons parecidos,
quero ver melhoras no próximo, ok?

ass: professora Vilma

domingo, 18 de julho de 2010

como é que se fala?

é bost?

que?

- pousti

bost?

- pousti!

ah, tá

então vou bostar lá aqui no blogue

o poema anterior era um poema

era uma vez um blog
chamado limitedapalavra
ele vivia sozinho
porque linguem nia ele
foi intão que um dia
era uma vez
que alguém falou
pra escrever alguma coisa
sério

mas ae num deu
porque poesia
é é essas coisas que nego faz pra mulher e tals

- pára porra! num é a sua vez
e tu também ta roletrando, num vale

mas voltando
então um dia desses
o blog resolveu se irritar
e bater com o pé no chão

- poesia num é porra nenhuma!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

aviso aos meus 3 leitores assíduos

vou parar de escrever nesse blog por um tempo.
ser mais seletivo na postagem.
chega de poeminhas babacas.

abraço.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

costura

azul azimute
polca pouca
bairro barro
vermelho ver melhor
joga yoga
trança trance
azul asas
balão ballroom
vento vem tu
azul ao sul
rouca rock
gorjeio de passos
passeio de pássaros
bem-vindo benigno
ao sul dos sentidos

(o rolling stones me ensinou a mexer com o hemisfério sul)

um canto encanto adão tapado mão
um canto da esquina
do quarto calado
linha de nylon
new york e london
linha do equador
cintura do mundo
prefiro a sua
nas minhas mãos impuras de tão calejadas de ruas

ruas rugas
fuga de putas
vermelho ver melhor de noite é pra quem tem saudade de dia
diazul diamarelo diabonito

diadorim

te adoro teatro
do absurdo absorvente
sorvete sou vedete
cadete do exército
exercício de rima
rinoceronte creonte
das tragédias gregas latinas
tina é a cachorra do dan tadinha tá velha já

já são meio-dias
como dividir um dia ao meio
se a terra não é redonda
nem tem alguém para comê-la
a terra não é uma pizza
com sobremesa
como dividir um dia ao meio
se nós fazemos parte dele?

seria dividir a si mesmo
num banquete sobre a mesa
eu prefiro coração
de poetas
que bundas
de burocratas
creta tebas
e outras cidades imaginárias

onde eu durmo acordado e sonho em pé
de cabra
de brasa
de pravda kino pravda
kino-glaz

agora é hora de comer

domingo, 11 de julho de 2010

E assim, no meio da madrugada, vem um canto que eu cantava com as vísceras, depois de saber que...

ÁHA!!!, UHÚ!!!,

HOJE O PÁTIO É NÓOSSOU!!!

ÁHA!, UHÚ!,

HOJE O PÁTIO É NÓOSSOU!!!

ÁHA!, UHÚ!,

HOJE O PÁTIO É NÓOSSOU!!!

(uns 13 muleques gritando cuspindo um gordinho com uma bola fudida emoção de copa do mundo e de saber que os grandes não vão encher o saco no pátio é todo nosso pra jogar e se metidar pras meninas de repente no final rola até um porradobol quem sabe)

sábado, 10 de julho de 2010

estrela cadente

era de noite e olhei pro céu.
isso foi agora, daqui a pouco.
vai passar uma estrela cadente
eu vi e fiz um pedido
pedi pra que eu pudesse voltar no tempo
antes de passar a estrela
para poder fazer um montão de pedido
que eu não sou bobo nem nada
e agora passou uma estrela no céu
fiz um pedido
se eu puder pedir pra voltar
a um milhãozíssimobilhonésimo de tempo
antes da estrela passar
eu posso aproveitar e fazer outro pedido
na hora eu invento
e olhei e passou!
uma estrela cadente
vou fazer um pedido
fiz
foi agora
antes vai passar uma estrela
eu tava sentindo depois
que ia
e olha a estrela cadente

chão

pego um lápiz.
risco no chão um círculo. ao redor de mim.
de dentro dele pulo. para cima. mas caio de novo.
algo não me deixa simplesmente voar. é o círculo.
apago.
desenho um quadrado.
um quadrado tem quatro cantos, bem como o elevador.
só que quando a gente fica num, só tem três.
então na verdade o quadrado tem sempre três lados.
anotei isso com caneta preta no meu braço, acho que é importante.
(sei lá, vai que cai na prova de geografia?)

apago o quadrado. já aprendi.
desenho uma casa.
dentro dela tem pessoas, eu sei que tem, não precisa desenhar.
qual o nome?
acho que eles não são de ficar falando com gente estranha.
devem ser de outra cidade.

apago a casa, eles foram morar em outra, não tem problema.

deito no chão e desenho o contorno do meu corpo.
levanto e olho. dou tchau para mim. mas não recebo tchau de volta.

- é que eu sou tímido.

me puxo pela perna até ficar de pé.
você é da minha altura!

pronto chega já brincamos.
apago meu contorno. fica o chão ali. só o chão.
mas tem algo diferente.
parece que o chão tem vida ou coisa assim.

foi o chão que me ensinou que eu não tinha limites.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Pensar/fazer kynema/somnema




durante a própria filmagem do filme que o Grupo Lelepídedo de Criação está realizando, algumas questões vem à tona:

- liberdade.

muitas vezes o processo de realização impõe um resultado estético.
um filme de grande orçamento, dependendo de várias empresas, tendo que responder pelos seus argumentos, não pode se dar a liberdade de filmar o que quiser, de dizer o que quiser.

trazendo isso para a realidade subdesenvolvida de jovens da classe média que somos, com recursos digitais bons, e uma certa irresponsabilidade, os métodos possíveis de se realizar um cinema realmente surreal, que tenha impacto e vigor, não podem deixar de serem pensados/feitos, não necessariamente nessa ordem: pré-produção, produção, pós-produção canônicas.

afinal, o que é um filme?

na idéia?
tudo começa com a vida. o que você viu ontem dentro do ônibus vindo para o rio?
com quem você ficou? o que uma árvore te contou? em quem você vai votar para presidente do brasil?

no tema? o presente.
mostrar não só a fome de comida, mas principalmente, a de idéias.
mostrar que não queremos nem a faca, nem o queijo, mas a fome.

no enquadramento? a função da câmera varia de acordo com a desfunção mental. quanto menos razão melhor.
uma câmera pode ser sujeito, objeto, divindade, corpo humano, pensamento, som, invensom.

todos os mestres podem ser seguidos. dialogar com eles.

na movimentação de câmera? pesquisar o tempo.
e a câmera estática? pesquisar o espaço.

no som?
o som falaremos mais no somnema

na música?
a música como ruído produzido ao se jogar coisas que não existem na tela.
a música como a criação de um universo que não existe mas a gente acredita.
a música como manipulação invisível do sentimento de um tijolo.

- enorgia: energia/orgia.

é preciso alongar e aquecer a voz para filmar.
usar as expressões do corpo.
usar as inexpressões da alma
beijo, gozo, sexo.

engendrar a câmera dentro de um ritual de movimento e repouso e repetição
a câmera tanto pode ser a fogueira como a roda ao redor dela.
o importante é não registrar uma visão. ser uma visão. e ser um tato.

filmar com olhos vendados uma luta sexual.
uma suave violência.
o câmera morde o cangote da atriz e geme junto com ela.


- poética da antropofagya das aculturas

nosso herói nunca foi herói nem ator
nossa câmera tem miopia - que é a minha utopia
não enxerga de longe - é preciso estar perto, junto, colado, se movimentar junto
lutar junto, suar junto, entrar no ritual, desnudar a câmera é enxergar de perto - CLOSE: abrir.

ele é índio tomando coca-cola.
para nós é até branco. multicores. incolor.

no CineOP vimos um filme filmado por uma tribo indígena falando de um ritual.

esse índio, com sonhos americanos, é um sujeitobjeto dos nosso cinema.
assim como a visão que temos do índio que mora dentro da gente. não somos índios,
nem europeus, nem africanos, nem brasileiros. não somos nada. não podemos querer ser nada.

a parte isso temos em nós todos os sonhos do mundo.

- montagem barreana.

utilizar os preceitos de barros: tudo que não invento é falso.
nada pode ser inventado que já não tenha sido pela vanguarda soviética e sua classificação extensa
das impossibilidades do kynema em ter limites.

o montador é uma criança de aproximadamente 3 anos que nunca tocou na areia do mar.
o programa de edição é um tecladinho CASIO de brinquedo, que faz sons engraçados.
é preciso batucar para ter ritmo.
uma criança batucando um filme.

uma criança que come um filme e planta outro através da máquina-corpo, cagando numa tela.

- somnema.

o som é 50% de um filme.

o som é uma tela.
a tela é um ambiente acústico.

será preciso criar imagens através do som.
será preciso criar sons através da imagem.

no próximo artigo, mais sobre o somnema.




flavia doria

seus palavrões desamplificados pela sua figura pequeno-singela-bela saem como ópera de grilos masturbando folhas presas em grades de sol



poema inspirado numa fotografia tirada por uma menina pequenina mas com grande nada poesial dentro. ela me mostrou essa foto amanhã. na foto, em preto-e-branco, dá pra se ver bem nada.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Zoubri Tudho Quin Naun Vemmws Kun Ahs Mauls

depois de duas noites mal-dormidas
acordo mal-acordado
e mal acordo o acordado
que era acordar todos os dias

depois de tuas febres e tuas frias
mãos calejadas de sonhos
inventando outros olhos castanhos
e ver pelo tato tuas ruas e vias

agora com o desejo liberto mias
de cima do teto cuspindo utopias
do ventre, do sexo, em gozo diário

embora pudesse dormir não dormias
queria descobrir o que se escondia
do lado de lá da noite que é claro

segunda-feira, 5 de julho de 2010

o mundo mudou

noite solar no quintal da sua casa
tem torresmo e quiabo
deus e o diabo

eu preciso esvaziar minha mente
até falar a verdade
até sobrar
tudo

tudo que eu vejo me move
tudo que é silêncio
eu ouço

esvaziar o coração até sobrar mangue
a cada hora que passa
uma hora passa
e eu só sei o que são as horas
quando desmonto um relógio
e vejo que quebrou
mas não vejo o porquê

meu sonho se perdeu pelos mitos
e quero ele de volta para poder voar

pegadas de curupira na calçada principal
perfume de colchão
teu mystério me chama
no silêncio que de dele emana
um bebê a cada beijo
um gole da bebida: desejo

quero partir para o oriente
e sentir o que se sente
quando se sente
o nada

noites quentes
os grilos já masturbam o orvalho
os homens se recolhem no recanto de seus lares
as moças se aprontam para sair e conhecer
homens
os cachorros uivam em busca dos donos
um mendingo chora por dentro

e um emo chora por fora
borrando a maquiagem preta

o mundo mudou
num é mais simples

mas eu queria ele simples

domingo, 4 de julho de 2010

sexta-feira, 2 de julho de 2010

fotografia que eu tirei sem filme

as listras do sol na persiana enfaixam o corpo dela
era para ser um simples sábado
mas era hoje
olhando seu corpo listrado de sol
ela mumifica um futuro
onde será rainha
de suas próprias emoções

e lá fora
a gente caça sonhos em pipas

segunda-feira, 28 de junho de 2010

#6

o cobertor se mistura com a lua
que mistura com a tua pele
no chocolate quente

a espera do esperma
morning sun ----------O´´´

*um segredo só pode ser contado duas vezes

o espelho da estrela
onde vemos sua estréia
o esterco e a esquadra de Colombo
o estranho e o ninho
de pombo

vo ar - - - - ali - - - - - - lá - - - - - - pousou um pensamento feito cago

longe posso ver minha descoberta aqui
teus olhos revirados
olhinhos de bola de gudi

o cobertor se mistura com a tua pele
a minha pele é cobertor?

não sei se é pé
ou se é não
minha mão só enxerga no escuro de poemas bem claros
no desentendimento eu clarifico o que não quero te dizer

o corpo
,,,,,,,,////torto

reconhece os limites do mundo através dos grãos de poeira que dançam na tua janela

posso jogar volei com a tua
meia?

camisas, sutiãs, cuecas, ah, um livro legau
anarquitetura / camamesa de jogar

o corpo se mistura com a lua minguante
desmilingua
numa língua inventada

sexta-feira, 25 de junho de 2010

original é voltar às origens - estudo de poesia através do não-aprendizado

A primeira aula de poesia começou assim:
o professor entrou na sala cumprimentando os alunos
"adeus, tchau"
tirou do bolso um giz negro
e escreveu no quadro:
"NADA"
em letras garrafais e ilegíveis.

Sentou-se em pé
e perguntou:
"o que vocês estão lendo aqui?"

um nerd com dados de rpg nas mãos disse
"NADA!" e abriu um sorriso desprezível

ao que o professor:
"sai de sala
e sai da aula
você não está apto"

o nerd chutou os dados no chão
de raiva
e deu 6 - 6 - 6.

o professor perguntou, então, para a menina
cricri
chatonilda, aquelas cricri que responde tudo antes
ao que ela disse:
"está escrita uma palavra, fessor"
e abriu um sorriso sem mostrar os dentes
e fez o tique nervoso dela
que era piscar os olhos borboleteando.

o professor a expulsou também
ela saiu chorando
dizendo que ia processar a escola e o professor.

o professor tô nem ai.

até que por livre e expontânea avontade
um maluco doidão lá da turma
aqueles que não penteiam o cabelo
e toma banho só aos domingos
pra paquerar as moças
esse maluco levantou o braço altão lá
querendo responder o fessor.

"diga ae, aluno, sabe a resposta?"

"sei sim fessor"

"então, qualé?"

então o maluco se levantou pra dizer
como todos faziam para responder as perguntas
mas
simplesmente ficou calado.

é, calado. num falou porra nenhuma.

nesse instante a cabeça, o olho e o coração de todos os outros alunos
explodiu de gozo, de raiva, de medo, de fome.

o professor abriu um sorriso suburbano
e disse:

"você não deu a resposta. parabéns."
ao que se matou, pegando um poema e cortando sua garganta.

o aluno doidão
sozinho na sala
com os cadáveres
lembrou daquelas aulas de português do primário
onde falaram de uma tal antropofagia.
intão tá, comeu o célebro do fessor.
o olho de um colega seu cego
e o coração da menina que gostava.


foi assim que nasceu o primeiro poeta.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

hoje eu tava andando numa livraria e vi o título de um livro que talvez seja da áfrica e era muito interessante e pensei, caraca, acho que dá um poema

antes do mundo nascer
paçoca era feita com barro
antes do mundo nascer
não existia escravo
antes do mundo nascer
o sol não tava aceso
antes do mundo nascer
um kilo não tinha peso
antes do mundo nascer
nenhuma palavra era lida
antes do mundo nascer
a gente sonhava com a vida

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Parábola do Cágado e do Elefante

............................................................texto da mitologia tailandesa encontrado dentro de uma ostra
............................................................parte do texto se perdeu ao longo do tempo
............................................................devido a ação das marés e de poetas.
............................................................recompilo aqui os trechos que consegui ler por ilegíveis.
............................................................as palavras que aqui não estão serviram de alimento para
............................................................pérolas escuras, de tão puras.

............................................................havia também uma ilustração junto com o pergaminho
............................................................onde o texto era exemplificado, e onde se pode ver
............................................................perfeitamente nada. foi elaborado pelos cagos de peixes.
............................................................coloco, em anexo ao final, na íntegra, a ilustração.*


um cágado atravessa uma auto-estrada.
sentado em seu casco, um elefante toca tuba.
a música reorienta o ritmo do cágado,
que passa a correr bem devagar.

ao tropeçar num edifício por engano,
o cágado capota, lançando o elefante e sua tuba
que entram numa carona de um caminhão
enquanto o cágado, imóvel, com o casco no asfalto,
fica preso na sua visão livre
do mundo ao contrário.

balançando as patinhas, desesperado, o cágado
só enxerga elas pisando os céus azuis
e pensa estar se afogando
naquele mar.

o elefante, a salvo, com sua tuba,
toca, então, um requiem bem bonito
para aquela morte imaginária.



*Ilustração:

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"ok você venceu batata frita"

................................................... ..........dissertação de mestrado dedicada ao poeta Rafael Sperling


seria hoje o dia do meu aniversário e eu comemoraria assoprando as velinhas de um bolo com o número 33 e desejando ganhar uma guitarra fender stratocaster ou na loteria para poder me tornar poeta, mas, infelizmente, fui morto por uma batata frita.

estava estragada, de restos e restos de frituras de outras épocas históricas, desde os tempos em que os chineses começaram a utilizar o procedimento de fritura em pré-pastéis.

não saberia dizer ao certo, mas a música da Blitz não tem tanta influência em minha vida quanto o cu de uma formiga agonizando separado do corpo depois que uma criança que quer ser cientista maluca separa com a ponta de uma faca e analisa a olho nú.

mas, enfim, ontem, 13 de outubro de 84, percebi que aquela música seria importante na minha vida ou na minha morte. não sei, acho que foi superstição. decidi tatuar uma frase dela no meio braço. quando eu tinha 13 anos eu queria tatuar algo diferente, por exemplo, um dragão no braço. depois eu descobri que o que eu achava diferente com 13 anos era na verdade resultado de um implante de chip na região da medula, muito comum no período, em crianças que enxergavam visões poéticas.

a minha morte foi dolorenta e bizzarra, regurgitando não apenas o macarrão do almoço de ontem, mas as palavras que estavam presas amanhã.

só não consegui tirar do braço aquela frase. que ironia do destino.

hoje estou aqui, relatando tudo isso, toda essa mentira, e você acreditando.

porque é legal.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

relatos objetivos de viagens que não fiz

todo dia eu desarrumo minhas malas
e vou colocando nada dentro delas
trabalho no ramo de inturismo: turismo para dentro.
e sempre não tenho de fazer relatos objetivos sobre essas viagens.
a desobrigação me prende ao fazer.

para dentro de mim não levo nem pasta de dente
nem cueca.
para esse tipo específico de viagem
alguns itens inimportantes:
- um biscoito foffy que eu não achei em uma vendinha fudida em niterói.
- uma bolinha de gude que pode ser considerada olho.
(ela é muito boa para não enxergar,
por ela,
pode-ser ver perfeitamente
nada)

- um espelho quebrado que eu engoli aos 7 anos.
- além de outras coisas que me faltam.
- e outras coisas importantes que eu não preciso.

as paisagens de dentro são inóspitas para viajantes acostumados
andarilhos dizem que é porque o desacostume se faz com palavras
como se faz redes de renda para sonhar.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

desexplicações sobre o texto anterior

invento - verbo intransigente do feminino plural.

in: do latim: dentro de: tem o poder de um dois pontos ao inverso.

vento: força da natureza irresponsável por certas marés e erratas poetais, coisa que leva o recitar de pássaros pela tarde, canto que a lua faz no cabelo da amada, o que reside na cabeça dos loucos, mendigos e poetas, objeto usado para mover moinhos e poemas.

invento: será que o inventar é quando a gente vai ventilar até ontem o que estará de dentro?

invento

posso contemplar uma palavra
como um cão contempla um frango assado.

vê-la girar no mundo
(e no meu mundo)
é divertido
e eu babo.

posso contemplar um pôr-do-sol
mesmo sem ver
sem sentir o calor morrendo no rosto
aos poucos
posso contemplar sem tempo
nem templo
só eu
sou seu
todo sentido e sem sentido.

posso desembrulhar palavras numa grama
e fazer piquinique com as formigas
e os mosquitos chatos
querem beber um pouco do sangue
para se embriagar também
e voar por ai e morrer.

posso te dizer que te amo
posso te dizer o escambau.

acho a morte do sol afogado pela noite mais bonito
do que um quadro, do que um pássaro recitando o vento,
do que uma criança pulando corda.

mas tem um brilho de vida no olhar dessas meninas...
`as vezes não sei se é olho ou bolinha de gude...

aliás, será que ainda tem aquele saco de bolinhas que eu escondi no armário da minha vó?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

passeio sem saída

você me pega mão
os olhos nas mãos as mãos sem perfeição
feito uma faca sem corte
e um corte na mão
a linha da sua morte
e a minha sorte
perdidas nas curvas sem direção
você me pega não
não me larga do meu pé
e pisa em falso com as mãos
lugares que não existem
pisando em migalhas
e pelas cadeias produtivas
do capitalismo
vão traçar as suas cifras
como rimas das guitarras
que não são com mãos tocadas
pelo mestre jimi hendrix
que desfaz as sua fênix
ao sonhar acordado o fogo do nada
com as mãos encharcadas
as marcas das mãos caem em escadas
que sobem pra cima e descem
o baixo
a guitarra
a bateria
bum-bum-bum-bum-bum asradsudhdfod
ttoa oifarfgoiiuhfrf
o solo
paiauaufuaeujmfeiv

paiaisiin PIAN!! 1 pIN!j!!O ! r EgfySD67cv jsDofjOAPAPPPAAJSID J pSIias didididcbsdy

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kfoapp bmueghjiueoeiuhgfruiyyynnnuuunpa pa pa pa pa pa pa pa papa pa pa pap apap apappapaiapiapaipaia papanapnaan apjhudaddjijotoakjoj bbiehumomoob beuio,omo p beubpapapa p bebmebuieppppp BEMUmubebpbep mberumppmpompmrtatc cap kobmugitu a t ibmmi nittiti i i m tiititt i ititit itu tyt t tututu u tutuutnt uttun tutnutg tunt utunt jvai ti rtu p rpa rp p r appa ar[ a - - - - - -- - - pa pa pa pi apiapai pai apiapaanpina pian apinapian ap a pa pa paaaaaaaaaa ia i ia i po ipooiononieiunei e u U U U U U U U U IU IUU IUIUI U IU uu iu iuiuiuiiiuiio iui u i u bbaneuiuiuf nueeineieinenienienienienienpaovpao vpaoe vpiu o[ai [voai eorvpov iof v m mf n dtritirtiritritr
tiritrit

rtiri
tr
tir
itr
it
rit
rit
ritrit
ritr
it
ritr


uuuuuuuuuuuuuuuuuuyuyuyuyuuuyaiuyiuuiuhiuaiyuuyuyuyuyuyuyuyiyuyiuyuyiuyiuyiuyiyuiyuiyu
yiu
uyiyuntahcvauhcuenreanaaaaaaaaaaaaaaann

como naquela vez
ouvindo a primeira vez
tudo mudou
era uma homem na estrada
uma simples solidão
enfeitada de absurdos
que decoram o coração
incêndios calados
perigos perdidos
pequenas memórias
livros antigos
como naquela vez
na sua sala
perdemos o medo
de termos nascido
um pro outro
outro pro mundo
de outro mundo

onde cada palavra na verdade significa outra palavra na verdade significa
que nunca confiamos na palavra escrita palavra na confiamos nunca que
age com um espelho que só refletia refletia só que espelho um com age
separando o que era meu o que era seu seu era que o meu era que o separando

CRASSSSSSSSSSXXXXXXXXX_____-----------S______S___S_S_S__S_S_S_________

nas paisagens impermanên
tes
da suas pernas
percorro corrrrrrrrrrrrrro pleonasmoinunmeradididodidodididodididiod

coooorrrrrrroooooo perdidididididididididoooooooooooo e chuto a golll gol GOOOOOOOOOOOOOOOOOLL!!!

frases que a gente não consegue se esquecer de esquecer de dizer que não frases que não se cansam de voar pelo não consegue esquecer de se esquecer de si

si - lá solbemol

SI
SI
ZI-COmprID. ID, DIDI mocó sonRIsol

eu te queria te dizer outra coisa
eu te queria
te esquecer outra
coisa
eu de dia
te queria
outra coisa
mia
eu te dizia
linda
eu te querida
como vai você?


sábado, 12 de junho de 2010

próximos poemas ou contos

- um cachorro assistindo "O Balcão" de jean genet

- relacionar in the heart of darkness com a copa, vulvuzelas e comemoração do gol da áfrica do sul

- um poema sobre a dança afro e um japonês

- frases que eu tenho ouvido ou lido de alguém ai nesses dias que achei legaus

- um poema meio tipo o desentranhamento ouvindo frusciante alto e pensando na adolescência

- algo assins

quinta-feira, 10 de junho de 2010

visões muito claras

em pé surfando em cima de uma bicicleta com os braços lambendo o vento
descendo uma ladeira que sobe
a velocidade segue apenas a pulsão incessante das coisas que não existem

estamos numa nova dimensão
onde as leis da gravidade só servem para os otários
e pessoas que catam migalhas de civilização pelas vitrines

o mundo foi destruído por um poeta e recomposto pela imaginação

(nesse momento passamos por um mindingo falando no celular)

é interessante notar que nessa viagem
a paisagem na verdade é feita de tempo

ih, olha lá eu quando era criança
agora quando estava ouvindo jimi hendrix na aula de química
e agora quando tive filho...

tudo isso acabou de passar aqui no lado direito
no lado esquerdo está o espaço
ih, olha o ventre da minha mãe, mó escuro, mas é quentinho
alá, a maternidade em amsterdã, minha primeira casa no rio...
legal

vejo claramente, dá pra ver claramente, lá no fim dessa estrada
da pra ver claramente nada


sábado, 5 de junho de 2010

Não tente ler se você é escroto

http://cinzasdapoesia.blogspot.com/

Álvaro, além de amigo, é poeta, dos mais viscerais que eu conheço.

Sua visão de mundo vem doente dele, vem suja dele, como todo bom poeta suja o mundo, ele não se contenta com a melancolia e viaja no humor, dando uma rasteira no sentido.

Cada intestino delgado e bíle do seu metabolismo acaba por mastigar e vomitar as palavras.

Por favor, se você for escroto, não tente ler. Não tente entender.

São poetas como o Álvaro que desafiam a nossa idiotice, a nossa babaquice, de querer entender o mundo,

e nos propõem simplesmente vivê-lo.