domingo, 10 de julho de 2011

embriagado

foge a palavra para descrever
e fica só o silêncio
do que não foi dito
e nunca será

forma
desenho
rabisco

de um sonho quase sonhado
de uma quase noite
entre mundos

restos de uma chaminé
pedaços de uma estrada
passeando nas nuvens
chuvendo nadas
lavouras arcaicas
de muito tempo
movimento de estar parado
no meio de uma estrada
no meio do nada

sinto como se a noite me engolisse
para dentro do seu dia
meus olhos fecham-se
dentro da noite neles
o estômago revira
almoços de ontem
o sol aquece o amanhã
o sol brinca com o amanhã
atrás das montanhas de meu país

parece que a cidade está dormindo
o ronco dos motores já parou
fica uma saudade de quando eu serei menino
fica uma saudade de você

dormindo em mim

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obrigado pelo ato
pela briga
pelo inexato da minha rima
fale o que tiver que ser falado

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