terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sobre

o homem começou batendo
ossos em ossos
pedras em pedras
até se perder quebra cabeça das letras
de um papel em branco

eu comecei na poesia batendo
nas letras, em pancadas poliglotas,
digo, trogloditas
até amansar
civilizar
o pensamento
e as sinapses até as mãos

hoje a caverna é um complexo
enraizado no espaço sobre sob sub as palavras
e idéias
no espaço atrás e na frente do texto

como duas telas invisíveis
que juntas se anulam

o homem começou batendo
pé na pedra e fez futebol

talvez precisamos sempre continuar
batendo
até descobrir um novo Sol (que não aqueça nem ilumine!)

talvez precisamos
ba/nas
pal/ter
!!!/avras

embaralhar as cartas de alforrya
dos espasmos de poesia

o homem depois de bater
durante milênios
deixou tomos e átomos
de livros em pedras

- e pedras presas no ideal do livre

junto aos pergaminhos do Mar Vivo, vive:

"1.
A madrugada me escreve de estrelas

2.
O sexo é permitido/proibído se tiver nexo

3.
Não deixarás goteira do teto ao feto

4.
No sétimo dia: cria

5.
A aurora borbulha medo nos que madrugam cedo

6.
O segredo da vida é segredo (e não rima)

7.
A febre se cura com menos poesia na nuca

8.
Não matarás a liberdade com filas na janela do suicídio

9.
Respeite o azeite das palavras

10.
Tudo o que é seu: céu"

4 comentários:

  1. Já sei porque não entendo; Mas não porque sinto uma tremenda presença de liberdade.

    Muito bom!

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  2. poliglotas
    trogloditas
    tá de tirar o fôlego, Taiyo Omura!

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  3. Esse pergaminho, não sei quem trouxe e pendurou no meu instante.

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  4. Usarei esses 10 mandamentos em minha vida!!

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